PIERRE VIGNE

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Nosso Fundador

Pierre Vigne (1670-1740)

Infância e juventude (1670 – 1689)

Pierre Vigne nasceu em 20 de agosto de 1670 em Privas (França), uma pequena cidade ainda muito marcada pelas sequelas das guerras de religião do século precedente, entre católicos e protestantes. Seu pai, Pierre Vigne, honesto comerciante de têxteis, e sua mãe, Françoise Gauthier, casados na Igreja católica, batizaram seus cinco filhos na paróquia católica Saint Thomas de Privas. Duas meninas morreram cedo. Pierre e seus dois irmãos mais velhos, Jean François e Eléonore, viviam com seus pais em uma relativa abundância.

 

Aos onze anos, podemos observar que Pierre auxilia o padre da paróquia e assina como testemunha, os registros paroquiais, as atas de batismo, casamento ou sepultura.

 

Rumo ao sacerdócio (1690 – 1694)

Após haver recebido uma educação e uma instrução de bom nível, no fim da adolescência, sua vida foi repentinamente transformada pela tomada de consciência da presença de Jesus Cristo na Eucaristia. Esta experiência o orientou definitivamente para Jesus que entrega sua vida na cruz, por amor a nós, e que, pela Eucaristia, não cessa de se dar a toda a humanidade. Pierre Vigne entrou, então, no seminário Sulpiciano de Viviers em 1690. Ordenado sacerdote no dia 18 de setembro de 1694 em Bourg-Saint-Andéol, pelo Bispo de Viviers, foi enviado, como vigário, a Saint-Agrève, onde exerceu, durante seis anos seu ministério sacerdotal, em amizade com seu pároco e em proximidade com seus paroquianos.

 

Com os Lazaristas - Primeiras missões (1700-1712)

Sempre atento em discernir, através dos acontecimentos, a vontade do Senhor sobre sua vida, Pierre Vigne sente-se chamado a outro lugar. Seu itinerário espiritual segue um caminho aparentemente um pouco hesitante no início, depois, cada vez mais seguro. Seu desejo de ser missionário no meio do povo simples o impulsionou a entrar, em 1700 na Congregação dos Lazaristas em Lyon. Recebeu ali uma sólida formação para a pobreza e para as «missões populares» e começou a percorrer cidades e aldeias com seus confrades, para evangelizar o povo cristão. Em 1706, ele deixou «em plena liberdade» os Lazaristas. Mais do que nunca, ele sentia a paixão pela salvação das almas, sobretudo das pessoas simples do campo. Após um breve período de busca, sua vocação se delineia claramente. Torna-se «missionário itinerante», aplicando seu próprio método pastoral, submetendo, todavia, seu ministério à autorização de seus superiores hierárquicos.

 

Durante mais de trinta anos, ele percorreu incansavelmente, a pé ou a cavalo, os caminhos do Vivarais e do Dauphiné e até bem mais longe. Para tornar Jesus Cristo conhecido, amado e servido, ele enfrentou a fadiga dos deslocamentos, os rigores do clima. Pregava, visitava os doentes, catequizava as crianças, administrava os sacramentos, chegando até a transportar em suas costas «seu» confessionário portátil para estar sempre pronto a oferecer a misericórdia de Deus. Celebrava a Missa, expunha o SS. Sacramento, ensinava os fiéis a adorá-lo. Maria «Belo Tabernáculo de Deus entre os homens» sempre teve também um lugar de predileção em sua oração e em seu ensinamento.

 

Boucieu-le-Roi (1712-1722)

Durante uma de suas missões, ele chegou, em 1712 em Boucieu le Roi, cuja paisagem lhe fez pensar em Jerusalém e lhe inspirou a erigir uma Via-Sacra. Com a ajuda dos paroquianos das vizinhanças, ele construiu 39 estações no vilarejo e no campo, ensinando os cristãos a seguirem Jesus da Ceia à Páscoa e até Pentecostes.

 

Boucieu se torna sua residência entre as missões. Aí, ele reuniu algumas mulheres e as encarregou de «acompanhar os peregrinos» da Via-Sacra para guiá-los e ajudá-los a meditar, a rezar.

 

É neste lugar que ele fundou a Congregação das Irmãs do SS. Sacramento. No dia 30 de novembro de 1715, na Igreja de Boucieu, ele deu às sete primeiras irmãs a cruz e o hábito religioso. Convidou-as a se sucederem para adorar Jesus presente na Eucaristia e a viverem juntas fraternalmente. Confiou-lhes a tarefa de ensinar a juventude. Preocupado em instruir as crianças, para permitir-lhes aceder à fé e adotar os comportamentos cristãos, Pierre Vigne abriu escolas e criou um «seminário de Regentes» como se chamavam então, as mestras de classe.

 

Uma vida assim intensa tem necessidade de alguns suportes. Assim, quando ia a Lyon fazer compras, Pierre Vigne não nunca deixava de ir à casa de seus antigos mestres de São Sulpício, a fim de encontrar seu confessor e seu diretor espiritual. Atraído pela espiritualidade eucarística dos Padres do SS. Sacramento, fundados por Mgr. d'Authier de Sisgaud, foi admitido como associado nesta sociedade sacerdotal em 25 de janeiro de 1724, em Valence, e se beneficiou de sua ajuda espiritual e temporal.

 

O grande período missionário (1722-1739)

Ao mesmo tempo em que assegurava o acompanhamento de sua jovem Congregação, Pierre Vigne continuava suas viagens apostólicas e encontrava a possibilidade de prolongar os frutos da missão, escrevendo livros: Regulamento de vida, Horas Novas, Tratado sobre a Confissão e a Comunhão e Meditações sobre o mais Belo Livro que é Jesus Cristo sofrendo e morrendo na Cruz.

 

O vigor deste caminheiro de Deus, a intensidade de sua atividade apostólica, suas longas horas de adoração, sua vida de pobreza, testemunham não somente uma robusta constituição física, mas acima de tudo, um amor apaixonado por Jesus Cristo que amou os seus até o fim (cf. Jo, 13, 1).

 

A última missão (1740)

Aos 70 anos, entretanto, Pierre Vigne ressentia os efeitos da fadiga. Durante uma missão em Rencurel, nas montanhas do Vercors, acometido por um mal-estar, foi obrigado a interromper sua pregação. Apesar de todos os seus esforços para celebrar ainda a Eucaristia e exortar os fiéis ao amor de Jesus, ele sentiu que o fim se aproximava. Então, expressou ainda uma vez seu imenso ardor missionário e depois se recolheu na oração. Um padre e duas Irmãs vindas sem demora de Boucieu, acompanharam seus últimos momentos. No dia 8 de julho de 1740, ele partiu ao encontro Daquele que tanto amou, adorou e serviu. Seu corpo foi transportado para Boucieu onde ainda hoje repousa na igreja de São João Evangelista.